TITÓN CONTRA OS DEMÔNIOS

Tomás Gutiérrez Alea foi o artista e intelectual mais lúcido que Cuba produziu na segunda metade do século XX. Sua figura, sua personalidade, seu modo de dirigir e a confiança absoluta que inspirava nos atores, roteiristas, câmeras, e em todos que participavam com ele na criação da magia do cinema, o transformaram em um ser lendário, cujo tão só um olhar ou um gesto inquietante do seu rosto podiam desencadear uma polêmica ou terminá-la. Sabemos, pelo resultado do seu cinema, que ele foi um renovador, um artista completo; e por seus textos, suas opiniões, e seu formidável livro Dialéctica del espectador, que foi também um pensador, um grande intelectual. O que ninguém poderia supor é que ele fosse calibrar toda nossa vida como coletividade ao adiantar-se ao futuro em seu intenso e convincente trabalho. É pouco o que posso dizer dessa dupla condição que renovou o cinema e o ensaio ao mesmo tempo em que o transformou possivelmente em nosso mais acertado pensador social. Só posso acrescentar que se transformou a si mesmo ao longo dos anos, vencendo obstáculos indizíveis e lutando sempre, sem renunciar nunca a seus princípios. Esta trilogia que Luciano Castillo reúne sob o título Titón, contra os demonios toca diferentes zonas de interesse da vasta obra do cineasta e as ilumina com lucidez, ao mesmo tempo nos aproxima desse perene e quixotesco autor em sua luta contra tantos demônios.

-Senel Paz

 

LUCIANO CASTILLO
Nascido em Camagüey, Cuba (1955), Luciano Castillo é crítico e historiador cinematográfico. Com um mestrado em Cultura Latino-americana, é membro da Unión de Escritores y Artistas de Cuba y de la Asociación Cubana de la Prensa Cinematográfica (União de Escritores e Artistas de Cuba e da Associação Cubana da Imprensa Cinematográfica). Colabora em inúmeras revistas especializadas e tem espaços semanais sobre cinema cubano na rádio, na televisão e internet. Tem sido um júri em vários festivais o júri de distintos concursos, entre eles Mar del Plata, Valladolid, Nova Iorque, Guadalajara, Cartagena, Bogotá, Havana e Huelva. Publicou, entre outros, os livros: La verdad 24 veces x segundo (Ácana, 1989), Concierto en imágenes (Universidad Nacional Autónoma de Nicaragua, 1994), Con la locura de los sentidos. Entrevistas a cineastas latinoamericanos (Artesiete, 1994), Ramón Peón, el hombre de los glóbulos negros (Filmoteca de la UNAM, 1998), Entre el vivir y el soñar: Pioneros del cine cubano (Ácana, 2008), Cronología del cine cubano (en co-autoria com Arturo Agramonte, Ed. ICAIC, 2012-2016), Conversaciones con Jean-Claude Carrière (com Javier Espada, Ayuntamiento de Zaragoza, 2004), Carpentier en el reino de la imagen (Universidad Veracruzana, 2000), El cine cubano a contraluz (Oriente, 2008), El cine es cortar (com o editor Nelson Rodríguez, Ediciones EICTV, 2010), Trenes en la noche (Oriente, 2012), La biblia del cinéfilo (Arte y Literatura, 2015) e Retrato de grupo sin cámara (Oriente, 2016), bem como o número 10 da coleção Los cuadernos de Cinema23, O indiscreto encanto de Buñuel. Integrou a equipe de redatores e foi coordenador de Porto Rico no Diccionario del Cine Iberoamericano: España, Portugal, América (Madrid, 2011). É assessor de programação do Havana Film Festival de Nova Iorque. Em 2003, o Ministério da Cultura de Cuba lhe outorgou a distinção Por la Cultura Nacional. Dirigiu a Mediateca André Bazin da Escuela Internacional de Cine y Televisión (1995-2014), e atualmente é diretor da Cinemateca de Cuba.


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