Dirección

Semana Fénix 2016

A conversa aqui registrada foi a primeira dedicada à direção cinematográfica, em 2017 e 2018 vieram mais encontros. Nesta primeira oportunidade, tivemos a sorte de contar com a presença de Gabriel Mascaro, que participava com Boi Neon, Kleber Mendonça Filho, diretor de Aquarius, e Albert Serra, que apresentava La mort de Louis XIV, todos filmes indicados na categoria Longa-metragem de ficção dos Prêmios Fénix. Para mediar a conversa com esses três grandes diretores, nos acompanhou Pawel Pawlikowski, reconhecido diretor polonês e integrante do Cinema23, vencedor do Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro em 2015 por Ida, que guiou os participantes neste tão interessante e esclarecedor encontro indagando sobre distintos temas: a escrita do roteiro, a criação de personagens, o trabalho com atores e atrizes, e a colaboração com integrantes da equipe, entre outros.

GABRIEL MASCARO (Recife, Brasil, 1983)
Artista visual e cineasta, Gabriel Mascaro começou em 2008 com o documentário KFZ-1348. Seu trabalho se caracteriza por uma leitura crítica do contemporâneo, fazendo uso de encenações, jogos de inversão, deslocamentos e apropriações. Pesquisa relações entre micropolítica e cotidianidade em diferentes meios como filme, instalação e fotografia. Entre sua filmografia se encontram Boi Neon (2015), Ventos de agosto (2014), Doméstica (2012), Av. Brasília Teimosa (2010) e Um lugar ao sol (2009). Em sua obra como artista visual estão a instalação Não é sobre sapatos e as séries fotográficas Desamar. Seus trabalhos foram projetados e exibidos em distintos festivais e exposições como Panorama da Arte Brasileira no MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo), Bienal de São Paulo, Bienal de Veneza, MoMA, Festival Internacional de Cinema de Locarno, Festival Internacional de Cinema de Toronto, Festival Internacional de Cinema de Roterdã, Festival Internacional de Cinema Documental de Amsterdam-IDFA, entre outros. Participou das residências artísticas de Videobrasil em Videoformes (França) e no Wexner Center for Arts (Estados Unidos). Em 2016, Boi Neon foi indicada aos Prêmios Fénix nas categorias de Longa-metragem de ficção, Direção, Desenho de Arte (Maíra Mesquita), Figurino (Flora Rebollo), Edição (Fernando Epstein, Eduardo Serrano), Música original (Otávio Santos, Nascinegro), Fotografia (Diego García) e roteiro (Gabriel Mascaro), e ganhou os prêmios nestas últimas duas categorias.

KLEBER MENDONÇA FILHO (Recife, Brasil, 1968)
Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco, Kleber Mendonça Filho começou sua carreira como crítico e jornalista para posteriormente experimentar com o vídeo explorando diversos formatos. É diretor, produtor, roteirista e crítico de cinema, além de ser o programador de cinema da Fundação Joaquim Nabuco. Nos anos noventa imigrou do vídeo ao cinema digital e de 35 mm. Entre sua filmografia se encontram os curtas-metragens A garota do algodão (2003), Vinil verde (2004), O crítico (2008) e Recife frio (2009). Sua obra prima, O som ao redor (2013), teve uma importante trajetória pelos festivais. Em 2016, estreou seu segundo longa, Aquarius, no Festival de Cannes, e depois teve um percurso por reconhecidos festivais internacionais de cinema. Foi indicada aos Prêmios Fénix nas categorias de Longa-metragem de ficção, Som (Ricardo Cutz, Nicolas Hallet), Direção e Atuação Feminina (Sonia Braga), e ganhou nestas últimas duas.

PAWEL PAWLIKOWSKI (Polônia, 1957)
Diretor de cinema nascido na Polônia, Pawel Pawlikowski iniciou sua formação acadêmica em Literatura e Filosofia, com uma pós-graduação em Literatura Alemã na Universidade de Oxford. Posteriormente, Pawlikowski deu uma virada em sua carreira e se transformou em documentarista para a televisão britânica. O trabalho que realizou durante essa época lhe deu reconhecimento internacional e o levou a experimentar com a ficção. Seus longas Last Resort (2000) e My Summer of Love (2004) foram aplaudidos pela crítica de dezenas de festivais ao redor do mundo por sua mordaz narrativa e por sua estética inovadora. Recebeu diversos reconhecimentos, incluindo um BAFTA e um Óscar por seu filme Ida (2015), considerado como melhor filme de fala não inglesa na edição 2015 dos prêmios da Academia. Por seu mais recente filme, Cold War (2018), ganhou o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes de 2018 e foi indicado em diversas categorias no Óscar 2019. Entre sua filmografia estão também: La femme du Vème (2011), Twockers (1998) e Dostoevsky’s Travels (1991), entre outros.

ALBERT SERRA (Gerona, España, 1975)
Diretor e produtor de cinema catalão, Albert Serra iniciou sua formação em Literatura Espanhola e Literatura Comparada. Seu primeiro longa-metragem, Crespià, the Film Not the Village (2003), não chegou a estrear comercialmente. Honor de cavalleria (2006), seu segundo filme, foi apresentado no Festival Internacional de Cinema de Cannes em 2006, e sua maravilhosa acolhida o transformou em referência dentro do cinema de autor europeu contemporâneo. Cahiers du Cinéma o apontou como um dos dez melhores filmes desse ano. Em 2008 voltou a Cannes para apresentar El cant dels ocells, seu terceiro filme. La mort de Louis XIV (2016) foi indicado aos Prêmios Fénix 2016 nas categorias de Longa-metragem de ficção, Direção, Desenho de Arte (Sebastián Vogler) e Figurino (Nina Avramovic). Albert Serra fundou a produtora Andergraun Films, com a qual realiza seus projetos.


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